segunda-feira, outubro 31, 2005

poema em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. (...) Eu, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado, Para fora da possibilidade do soco; Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles são príncipes - na vida... Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! Não, são todos o Ideal, se os oiçam e me falam. (...) Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? (...) Pessoa - Álvaro de Campos

conselho

"Não te analises,
Não procures no perfume das flores
A tempestade das raízes (...)"

J. Gomes Ferreira

mudança de hora

A mudança de hora parece ter trazido outras mudanças: de humor, de temperatura, de energia... Os minutos pareceram horas, as horas dias e o dia uma eternidade. Apesar de a saber necessária, a chuva acabou por contribuir para o estado de espírito que hoje, como já deu para perceber, não é o melhor. Amanhã é outro dia!

sábado, outubro 29, 2005

Oops! Parece que me repeti!...
Cansei-me do branco e decidi, por isso, mudar a cara ao meu blog. Agora parece-me mais simpático, mas não garanto que isto seja definitivo. O verde não é a minha cor de eleição...
Cansei-me do branco e decidi, por isso, mudar a cara ao meu blog. Agora parece-me mais simpático, mas não garanto que isto seja definitivo...

sexta-feira, outubro 28, 2005

cansaço Mais uma semana termina - finalmente! Estou mesmo cansada! Talvez a aula de ioga consiga relaxar-me! Normalmente funciona...
Pausa para almoço Podia ter almoçado no trabalho, mas preferi vir a casa e comer à pressa. Não sei se é do tempo, apeteceu-me estar sozinha, ainda que por pouco tempo. Daqui a minutos regresso ao trabalho, embora a disposição seja pouca.

quinta-feira, outubro 27, 2005

The catcher in the rye

 
Há momentos, encontrei, por mero acaso, um blog em que se falava de The Catcher in the Rye (À Espera do Centeio, na tradução mais actual), de J. D. Salinger.
Subitamente, senti saudades de Holden, o protagonista, como de um amigo especial que não vejo há anos.
Quando li a obra pela primeira vez (depois disso devo tê-lo feito mais três ou quatro), apaixonei-me de tal forma por Holden que não queria de modo nenhum, se tivesse essa possibilidade, conhecê-lo para não quebrar o encanto.
De vez em quando, para matar saudades, pego no livro e releio umas passagens.
O vento acordou, esta manhã, impiedoso. De início, renitente, a chuva acabou por ceder aos seu caprichos, ainda que só por instantes. Promete voltar.

quarta-feira, outubro 26, 2005

esquisitices
Na sequência do excerto de Paul Auster, também eu adoro cadernos de capa dura, costurados, mas pautados, de preferência. É nesses, de capa azul ou preta, com uma etiqueta na frente, que eu escrevo há anos. Seduzem-me as páginas em branco, que se vão tornando cúmplices dos meus estados de alma, que vão partilhando poemas ou citações de que gosto e com os quais me identifico. Não ter um caderno desses em casa é como não ter maçãs... faltando-me estas é como se não tivesse fruta. Esquisitices!
Ah! Esquecia-me de vos dizer que, como o próprio P. Auster afiançou numa entrevista, os cadernos a que ele se refere na sua obra não existem. Mas, aqueles de que vos falei talvez se aproximem...

terça-feira, outubro 25, 2005

cadernos portugueses
" Havia também uma pilha de cadernos alemães e outra de cadernos portugueses. Os cadernos portugueses exerciam sobre mim um fascínio muito especial e eu sabia que não resistiria àquelas capas duras, àquelas linhas quadriculadas, àqueles cadernos costurados de papel robusto, sólido, imune a todo o tipo de borrões. Eu sabia que acabaria por comprar um caderno português: bastaria pegar num deles, bastaria senti-lo nas minhas mãos e eu não resistiria. Não havia neles nada de luxuoso, nada que desse nas vistas. Não, aqueles cadernos eram muito simplesmente um artigo prático - resistente, desprentensioso, útil, de maneira nenhuma o livro em branco que poderíamos escolher como prenda para um amigo. Mas eu gostava do facto de serem encadernados a pano, e também gostava da forma: vinte três centímetros e cinquenta por dezoito centímetros e quarenta, o que os tornava um pouco mais pequenos e mais largos do que a maior parte dos cadernos. Não sou capaz de explicar porquê, mas a verdade é que achava essas dimensões profundamente satisfatórias, e, quando peguei pela primeira vez no caderno, senti algo que se assemelhava ao prazer físico, uma súbita e incompreensível irrupção de bem-estar. Restavam apenas quatro desses cadernos e cada um tinha uma cor diferente: preto, vermelho, castanho e azul. Escolhi o caderno azul, que era o que estava em cima."
Auster, Paul, A Noite do Oráculo

Regresso aos Açores

Regresso ao paraíso atlântico num conjunto de fotografias que hoje recebi no correio. Não são de São Miguel, a única das nove ilhas que tive o privilégio de conhecer, mas são os mesmos o encanto, o azul do mar, a luz e a sensação de tranquilidade. Falta o cheiro a maresia...

segunda-feira, outubro 24, 2005

Onde para a justiça?!
Da Justiça, enquanto instituição, percebo muito pouco - ou nada!-, mas como ser humano e cidadã deste país não deixo de me indignar com situações como a de Fátima Felgueiras. Se a senhora é ou não culpada não me cabe a mim decidir, contudo, parece-me de uma profunda injustiça que o seu julgamento corra o risco de não ser uma realidade!Por este e outros exemplos, que não vou mencionar, concluo que os "merceeiros" viciaram a balança e andam a roubar no peso!
O paraíso é aquilo que nós queiramos que ele seja!...

domingo, outubro 23, 2005

coisas simples

Subi a serra... de carro! Como sempre, atrasada para o almoço. O que vale é que, nos domingos, se dá alguma folga ao relógio...
Depois do café - em cafeteira italiana, que é como eu mais gosto dele!-, sentei-me, num convívio exclusivo de mulheres, na varanda.Dali, pode ver-se grande parte da aldeia, os campos e outras terras distantes- sentimo-nos águias de atalaia.Naquele lugar, é impossível negar que a terra é redonda.Entre palavras simples, comemos nozes(algumas ainda a assoalhar) e ameixas secas, enquanto nos entregávamos, sem resistência, ao sol tímido de Outubro.Percebi, com felicidade, que já começa a notar-se, nas terras de cultivo e nos lameiros, que a chuva é uma benção.
Regressei à cidade, novamente pelo caminho da serra, a meio da tarde. "Coldplay"(Fix You) teria sido a banda sonora perfeita, se a serra não fosse um cenário de ardida e negra desolação.

sábado, outubro 22, 2005

Futilidades... Acabaram as "postagens" por agora. Tá quase na hora de almoço, espera-me uma tarde de prazeres materiais e fúteis necessidades... compras! Sob chuva... o mais provável!

Café e torradas

Não há nada melhor, num sábado preguiçoso - e ainda mais se é Outono ameaça chover -, que café e torradas. Um cheiro bom espalha-se pela casa e apetece voltar para o aconchego dos cobertores. Não voltei. Quebrei a regra e sentei-me em frente ao computador a "postar", ainda timidamente (ou será "ignorantemente"?!), o que me vai na alma (que, a esta hora da manhã ainda é pouca coisa!).

sexta-feira, outubro 21, 2005

Sexta-feira ou o fim da vida selvagem Finalmente Sexta-feira! Terminou mais uma daquelas semanas extenuantes e sabe bem pensar que, pelo menos esta noite, me reservo o direito de não fazer o que quer que seja relacionado com trabalho! "O que há em mim é, sobretudo, cansaço (...)" (A. Campos) Os dias são, cada vez mais, a cópia do anterior e do que há-de vir: casa, trabalho, casa... Aos poucos, encontramos em tudo desculpa para não estarmos com os outros. Qualquer assunto é sempre mais urgente que uma conversa, uma ida ao café, um passeio no fim da tarde ou uma ida ao cinema.Começo a perder o jeito... talvez isto não seja exactamente como andar de bicicleta!...

quinta-feira, outubro 20, 2005

Castanhas
Está próxima a apanha das castanhas. O amarelo de Outono tinge as folhas dos castanheiros. Nos soutos, o silêncio é quebrado, de quando em quando, pela queda dos ouriços que atraiçoam as cabeças dos mais desprevenidos. O trabalho do campo (se não for em excesso) restitui-me alguma paz, faz-me esquecer os livros, o trabalho e os problemas. Mas melhor é poder, ao chegar a casa, tomar um banho quentinho, pôr as castanhas no assador e comê-las, em galhofeiro convívio, enquanto se desfiam histórias antigas que, pelo picaresco, assumiram o estatuto de anedotas caseiras.
Olho pela janela. A chuva, que, durante a noite, caiu abundantemente, deu nova cor à sebe, à relva e às árvores. Ao longe, a serra, meio oculta numa névoa que promete afastar-se, revela a sua imponência e quietude. Transmite tranquilidade.
Os dias de chuva não me deprimem como antes - talvez por sabê-los necessários. Lembram-me Londres e São Miguel... Gosto do cheiro da terra molhada... imagino-me a fazer o caminho de terra que, em Serralves, conduz às terras de cultivo e ao lagar.
Cada estação tem o seu encanto... até o Inverno, mesmo quando é rigoroso e faz apetecer o calor da lareira.
Mentalmente, trauteio "Mercy Rain" de Peter Murphy. Talvez esta chuva seja, de facto, misericordiosa... com a Natureza ou com os homens!...

quarta-feira, outubro 19, 2005

O trabalho acumula-se. A falta de vontade é proporcional à quantidade de coisas que impacientes me esperam.Oiço "Blue Moon" interpretada pelos Cowboy Junkies para ganhar alento, mas o frio que começa a fazer-se sentir e o cansaço travam-me os movimentos. "Ah, que me metam entre cobertores, / E não me façam mais nada!...". Como Mário de Sá-Carneiro calha tão bem...
"Quase" Um pouco mais de sol - eu era brasa. Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém... (...) Mário de Sá-Carneiro "Liberdade" Ai que prazer Não cumprir um dever, Ter um livro pra ler E não o fazer! Ler é maçada, Estudar é nada. O sol doira Sem literatura. O rio corre, bem ou mal, Sem edição original. E a brisa, essa, De tão naturalmente matinal, Como tem tempo não tem pressa... (...) F. Pessoa Escolhi estas estrofes para abrir o meu blog, porque me ocorrem frequentemente por traduzirem estados de alma que me caracterizam.