segunda-feira, maio 08, 2017

Por ora


Estão saradas todas as feridas:
as dos amores que partiram;
as dos amores que não chegaram a sê-lo;
as feridas das amizades
que se revelaram traições.

Estão apaziguados os remorsos
das palavras ditas;
das palavras caladas;
dos passos em falso.
Outros virão, com ou sem aviso...

Por ora, bastam-me estes olhos
para ver os crepúsculos,
bastam-me estas mãos com que cruzo os fios
que tecem os dias que reclamo meus
e só a mim pertencem...

Em repetição por aqui este "devaneio" caseiro, de 2010.


7 comentários:

conta corrente disse...

Muito bom :)

É sempre bom ver crepúsculos, dá-nos a serenidade de alinhavar ideias.

Anónimo disse...

Muito bonito.

deep disse...

Obrigada, conta corrente. :) É mesmo!

Obrigada, anónimo. :)

Isabel Pires disse...

É possível ter tudo sarado?

deep disse...

Claro que não, Isabel, mas há momentos, por fugazes que sejam, em que sentimos algum apaziguamento. Além disso, em poesia (ou tentativa poética!) tudo é possível. :)

Mar Arável disse...

Palavras esculpidas na memória viva
Bj

deep disse...

Obrigada, Mar Arável. :)
Bj