segunda-feira, abril 03, 2017

Traz-me uma casa do horizonte deserto


Edward Hopper, "Lighthouse hill"

Traz-me uma casa do horizonte deserto
lá onde o mar começa
e os meus olhos se fecham
trá-la pela carne da vaga
pedra a pedra conseguida
trá-la vaga, descoberta
de franquia, porta aberta
trá-la de coral e de limos
há-de reluzir nas colinas
há-de crescer de guarida
para quem nela entre e habite
trá-la hoje a hora que o sol posponte
e se veja já no horizonte
janelas, portadas abertas
gente a entrar, a sair delas
encontrando tesouros
fazendo descobertas.

Há séculos que não há caravelas
mas ainda se queimam círios
em muitas casas por dentro
sem rosto sem remetente
sem que um pássaro
possa desabrochar numa flor.

José Ribeiro Marto, Pastoreio

Com votos de feliz aniversário ao autor!

6 comentários:

Isabel Pires disse...

Que lindo poema, deep!
Vou roubar para mostrar um dia destes. :)
Beijo e boa semana!

Laura Ferreira disse...

que bom começar a semana com coisas bonitas :)

Luis disse...

uma casa não sei, uma coisa trago

CCF disse...

Há tanto tempo que não ouvia falar dele...quase me esqueci deste poeta, em tempos quase um amigo. Obrigada pela lembrança.
~CC~

Ives disse...

Desabrochamos nas flores também! Lindo blog, e linda poesia, Já sou o seu seguidor, beijos

Manuel Veiga disse...

belo poema

gostei. de verdade!

abraço