quinta-feira, abril 06, 2017

Nunca mais servirei Senhor que possa morrer

Meditação do Duque de Gandia sobre a morte de Isabel de Portugal


Nunca mais
a tua face será pura limpa e viva,
nem teu andar como onda fugitiva
se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
do teu ser. Em breve a podridão
beberá os teus olhos e os teus ossos
tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver
sempre,
porque eu amei como se fossem eternos
a glória, a luz e o brilho do teu ser,
amei-te em verdade e transparência
e nem sequer me resta a tua ausência,
és um rosto de nojo e negação
e eu fecho os olhos para não te ver.


Nunca mais servirei senhor que possa morrer.


 Sophia de M. B. Andresen

Ontem,veio à conversa com um colega, um verso deste belo, ainda que triste, poema da
Sophia.

4 comentários:

ana disse...

eu tenho uma relação complicada com a sophia, mas sinto este poema por dentro.
beijo, deep

Lídia Borges disse...


A finitude, em tudo. Até no Amor...

Bj.

Lídia

CCF disse...

Acho-o um dos poemas mais bonitos da Sophia.
~CC~

deep disse...

ana, gosto de muitos textos escritos por ela. Deste gosto particularmente. :)

beijo e bom fim de semana

Lídia, talvez haja amores que sobrevivam à morte. Este parece um deles.

Beijo e bom fim de semana

CC, também é um dos eleitos. :)

Beijo e bom fim de semana