quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Há uma gramática aberta no teu corpo

Há uma gramática aberta
no teu corpo, e soletro cada palavra
que o teu olhar me oferece.
Limpo as sílabas que te
escorrem pelo rosto com um lenço de
vidro, descobrindo a tua transparência.
E sais de dentro de um pó de
advérbios, para que eu te dê um nome,
e a vida volte a correr por ti.

Nuno Júdice

5 comentários:

ana disse...

que bonito...acho que vou roubar...

:)

Laura Ferreira disse...

este senhor tem poemas maravilhosos.

deep disse...

Júdice, as palavras, a gramática, os afectos, a ausência, a gramática dos afectos e dos corpos... sei lá! Um novo post para as meninas que gostaram do anterior!

ana, rouba à vontade. Gosto destes roubos. :)

Manuel Veiga disse...

magnífico poema
gosto muito desse "limpar de advérbios"

beijo

deep disse...

Manuel, fico sempre "invejosa" dos poetas que têm uma relação íntima, embora nem sempre fácil certamente, com as palavras e as suas múltiplas combinações.

Beijo