segunda-feira, dezembro 12, 2016

Não digo do Natal


Não digo do Natal – digo da nata
do tempo que se coalha com o frio
e nos fica branquíssima e exacta
nas mãos que não sabem de que cio

nasceu esta semente; mas que invade
esses tempos relíquidos e pardos
e faz assim que o coração se agrade
de terrenos de pedras e de cardos

por dezembros cobertos. Só então
é que descobre dias de brancura
esta nova pupila, outra visão,

e as cores da terra são feroz loucura
moídas numa só, e feitas pão
com que a vida resiste, e anda, e dura.

Pedro Tamen, 'Antologia Poética'

3 comentários:

Isabel disse...

Adorei a foto!

ana disse...

Gosto tanto das tuas escolhas...
Beijo :)

deep disse...

Obrigada, Isabel! :)

Obrigada, ana! :)

Beijos