domingo, março 06, 2016

Fotografar

Fotografar não é apenas um exercício de paciência. Pode ser também um processo de descoberta e um teste à nossa capacidade de inventar e de nos excedermos. Apuramos o olhar e os sentidos, sobretudo de equilíbrio e de estética. Quando fotografamos, obrigamo-nos a encontrar beleza até nas coisas mais prosaicas e aparentemente insignificantes. Estudamos enquadramentos, distâncias, velocidades, graus de luminosidade, com o propósito de fazermos imagens que nos agradem e que possam agradar a outros. Neste sentido, fotografar resulta igualmente numa forma de mascarar a realidade e de iludir. Diria também que fotografar é, em certa medida, um exercício de meditação. Enquanto centramos a atenção no alvo do nosso disparo, abstraímo-nos de tudo o resto à volta. Nesse momento, acontece uma comunhão silenciosa a três: nós, o objecto a fotografar e a máquina.

Ontem, durante a manhã e parte da tarde, participei num workshop de fotografia. Depois de uma breve abordagem teórica, saímos para fotografar e aplicar conhecimentos. Durante mais de uma hora, percorri algumas ruas, apontando a máquina para os objectos que antes estudei com o olhar. Aos poucos, fui descobrindo, em espaços que me são familiares, pormenores que me tinham escapado e, por momentos, tive a sensação de estar numa cidade diferente e nova.






11 comentários:

Isabel Pires disse...

deep, a terceira e quarta fotos têm uma linha muito ténue na horizontal. Trata-se de um efeito propositado?
Talvez o que me cativa mais na fotografia é a oportunidade de fazer descobertas, encontrar o que não conseguiria de outra forma, ver mais e diferente.

deep disse...


A fotografia pode ser também uma forma de sairmos do casulo, de desinibirmos, uma vez que andar na rua, de máquina apontada de forma insistente, sobretudo num meio pequeno, em que as pessoas nos conhecem noutras funções, é uma forma de nos expormos.

Isabel, se reparares, todas as fotos têm essa linha ténue. Por vezes, não me dou ao trabalho de assinar as fotos, mas,como há dias encontrei uma imagem minha como capa de uma página de Facebook, fiquei, como o gato, escaldada, e decidi começar a assinar tudo. Ainda que estejam longe de ser uma obra de arte, aborrece-me que se apropriem, sem dar cavaco, das minhas coisas.

Carmem Grinheiro disse...

Olá, Deep,
Um olhar diferente faz aquela diferença ;)



P.S.: está terrível fazer um comentário. Esta manhã começou a aparecer uma espécie de "puzzle" em que nos pedem (quem será o esperto??) para confirmar uma série de imagens: ora "seleccione todas as imagens com batatas fritas", ora "seleccione as imagens com café"...
Qué-qué isto?

Pronto, desabafei :(
bjn amg

deep disse...

Carmen, esse puzzle aparece sem que eu tenha seleccionado essa função. Tem que quer com o facto de haver moderação de comentários. Já me aconteceu o mesmo noutros blogues.

Peço desculpa. Vou tentar solucionar o problema.

Bj

Isabel disse...

Gostei das fotos todas, mas a primeira deixou-me intrigada, porque foi a única que não consegui relacionar com nada...talvez um gradeamento...

Beijinhos:)

Isabel Pires disse...

deep, como sabes, utilizo muitas fotos de outros e identifico-as sempre, salvo quando não sei quem é o autor, o que é raro. Por vezes, esta identificação não é imediatamente perceptível porque pode não estar junto à foto, o que até já suscitou questões. Por norma, quando há texto em cima e em baixo da foto, só escrevo o autor nas etiquetas. Caso contrário, fica junto da mesma. Também, sempre que possível e se se tratar de alguém 'acessível' no que respeita a contacto, dou uma palavra antes.

Via FB já me aconteceu muito disso com fotos que tirava em espectáculos. Em vez de partilharem até se davam ao trabalho de copiar e publicar como se fosse dos próprios. Ainda hoje vi isso com fotos com algum tempo e feito por pessoas que me conhecem, podem contactar-me facilmente e sabem que sou muito ciosa do respeito dessas regras. Se utilizarem uma coisa minha, dizendo-me previamente e não identificarem, nem me aborrece nada. O contrário, sim. Pois, não procedo assim com ninguém.

Boa semana!

nêspera disse...

Cada vez mais uma paixão. Vou começar a levar a fotografia a sério. Com máquina e tudo. :)

Beijo

deep disse...

Isabel, obrigada. :) A primeira é, de facto, o pormenor de um gradeamento.

Beijinhos

Isabel Pires, também tenho por hábito identificar o autor das fotos. Quando as encontro na net sem autor,indico a página. Já tive situações um pouco desagradáveis com pessoas do Facebook, que não só partilharam as fotos, como as assinaram, mostrando-as como suas. Uma senhora foi ao ponto de assinar a preto por cima da minha assinatura, que era branca. Quando a confrontei, começou a enviar-me mensagens insultuosas, às quais nem respondi. Não custa pedir. Nunca recuso. O mesmo acontece com textos que publico.

Boa semana! :)

nêspera, para mim também é cada vez mais uma paixão, mas ainda não pensei em investir. :)
Beijo

pcristinasantos disse...

Gosto!

Kátia disse...

"Quando fotografamos, obrigamo-nos a encontrar beleza até nas coisas mais prosaicas e aparentemente insignificantes."Este é o espírito!Captar aquilo que vemos de forma corriqueira,mas que não nos atentamos aos pormenores que é o onde há a real beleza.Parabéns,continue nos presenteando com essas imagens.
Beijo!

deep disse...

Obrigada, Paula! :)

Kátia, obrigada. :) Bj