sexta-feira, março 04, 2016

As horas

«Quantas vezes, depois disso, ela se perguntara o que poderia ter acontecido se tivesse tentado continuar com ele, se tivesse retribuído o beijo de Richard na esquina da Bleecker com a MacDougal, partido com ele para qualquer lado ( para onde?), se nunca tivesse comprado o pacote de incenso ou o casaco de alpaca com os botões do feitio de rosas. Não poderiam ter descoberto alguma coisa...maior e mais estranha do que aquilo que tinham? É impossível não imaginar esse outro futuro, esse futuro recusado, como tendo sido vivido em Itália ou França, entre grandes salas cheias de sol e como um imenso e duradouro romance assente numa amizade tão abrasadora e profunda que os acompanharia até à sepultura e, quem sabe, talvez mesmo para lá dela. Ela podia, pensa, ter entrado noutro mundo. Podia ter tido uma vida tão intensa e perigosa como a própria literatura.»
Michael Cunningham, As Horas

Como saber o que teria sido a nossa vida, se, em determinados momentos, tivéssemos feito opções diferentes daquelas que fizemos? Não há como...

Li As Horas há uma série de anos, mas, de vez em quando, regresso ao livro, para ler umas passagens e, mais ainda, ao filme, que continua a ser um dos preferidos.

7 comentários:

Isabel disse...

Também li o livro há uns anos e vi o filme. Tenho ambos.

Não me detenho muito a pensar o que seria se...não vale a pena, porque o caminho é para a frente. A vida é tantas vezes diferente do que imaginamos, mas se não há grandes coisas a lamentar, também não vale a pena perder tempo a imaginar como seria o que não foi.

Vale mais viver o presente e ter novos projectos.

Beijinhos e um bom fim-de-semana:)

Isabel Pires disse...

Neste caso aplica-se o contrário do ditado, devendo ficar: não vale a pena chorar sobre o leite não derramado.
Bom fim-de-semana, deep!

Luis disse...

Não há como, mas há coisas que correram tão mal que qualquer outra coisa teria sido melhor

pcristinasantos disse...

Muito bonito!

deep disse...

É certo, Isabel, não vale a pena determo-nos a pensar naquilo que poderia ter sido. Nada muda se o fizermos.

Bom domingo. :) Beijinhos

Isabel Pires, é mesmo caso para inverter o sentido do provérbio!

Um bom domingo. :) Bj

Tens razão, Luís. :)

Apesar de, não é, Paula? :)

pcristinasantos disse...

Sim! A beleza às vezes fica suspensa. Sei lá ... :)

deep disse...

Pelo menos na memória, Paula. :)

Bj