quinta-feira, dezembro 10, 2015

Desiderata


(Imagem de Nirav Patel)

Vai serenamente por entre a agitação e a pressa e lembra-te da paz que pode haver no silêncio. Sem seres subserviente, mantém-te tanto quanto possível, em boas relações com todos.
Diz a tua verdade calma e claramente e escuta com atenção os outros mesmo que menos dotados e ignorantes; também eles têm a sua história.
Evita as pessoas barulhentas e agressivas; são mortificações para o espírito.
Se te comparas com os outros, podes tornar-te presunçoso ou melancólico, porque haverá sempre pessoas superiores e inferiores a ti.
 Apraz-te com as tuas realizações tanto como com os teus planos.
Põe todo o interesse na tua carreira ainda que ela seja humilde; é um bem real nos destinos mutáveis do tempo.
Usa de prudência nos teus negócios porque o mundo está cheio de astúcia; mas que isto não te cegue a ponto de não veres virtude onde ela existe; muitas pessoas lutam por altos ideais e em todo o lado a vida está cheia de heroísmo.
Sê fiel a ti mesmo. Sobretudo não simules afeição nem sejas cínico em relação ao amor porque, em face da aridez e do desencanto, ele é perene como a relva.
Toma amavelmente o conselho dos mais idosos, renunciando com graciosidade às ideias da juventude.
Educa a fortaleza de espírito para que te salvaguarde numa inesperada desdita. Mas não te atormentes com fantasias. Muitos receios surgem da fadiga e da solidão.
Para além de uma disciplina salutar, sê gentil contigo mesmo.
Tu és filho do universo e, tal como as árvores e as estrelas, tens direito de o habitar. E quer isto seja ou não claro para ti, sem dúvida que o universo é – te disto revelador.
Portanto vive em paz com Deus seja qual for a ideia que d´Ele tiveres. E quaisquer que sejam as tuas lutas e aspirações, na ruidosa confusão da vida, conserva-te em paz com a tua alma.
Com toda a sua falsidade, escravidão e sonhos desfeitos o mundo é ainda maravilhoso.
Sê cauteloso. Luta para seres feliz.


Max Ehrmann, com tradução de M. L. Peixoto

Recebi, há dias, de um amigo, este poema que, segundo algumas pessoas, é de um anónimo.

6 comentários:

Isabel Pires disse...

A versão que conheço é um bocado diferente. Também devido à tradução.

Isabel disse...

É lindíssimo!
Também o tenho no blogue.

Beijinhos:)

ana disse...

esta desiderata acompanha-me há décadas... :)

deep disse...

Isabel Pires, vi outras versões, mas gostei sobretudo desta, que é a mesma que me ofereceram.

Isabel, é sim. :)

ana, obrigada. :) O texto ganha com a voz do Ruy de Carvalho.

Beijos para todas

Luis disse...

Até os anónimos têm nome

deep disse...

É verdade, Luís.