quarta-feira, novembro 18, 2015

Em slow motion

À minha volta, as conversas rebentam, paralelas às sucessivas intervenções de algumas pessoas. As mulheres predominam e dominam. Atropelam-se. Cada uma quer chegar antes das companheiras ao pódio de nada. O único elemento masculino não consegue fazer-se ouvir. Obviamente, está cansado. As poucas palavras que pronuncia tombam como pétalas de uma flor que vai perdendo o viço. 
A certa altura, desligo, entro em slow motion cerebral e auditivo. Sei que, se não desligar, o desespero transformar-se-á em exaspero e este numa dor quase física. 
Procuro as últimas páginas do caderno e alinhavo, o mais discretamente que consigo, uns devaneios - fuga possível de um ambiente que me é muitas vezes hostil, ao qual, não raras vezes, sinto não pertencer.


4 comentários:

Isabel Pires disse...

Estou contigo. ;)
É preciso fazê-lo a bem da nossa sanidade mental.
Tem um bom dia, deep!

deep disse...

Sem dúvida, Isabel! :)

Um bom dia também para ti.Bj

Isabel disse...

Às vezes são ambientes onde temos mesmo que estar, por questões profissionais; não sei se é o caso...eu detesto esses ambientes!

Desenhar ou "devanear" são boas opções!

Bom fim-de-semana, Luísa:)

deep disse...

Não podemos escapar-lhes, Isabel, mas podemos sempre "desligar" quando se entra em discussões que nos parecem estéreis. Como não tenho qualquer jeito para o desenho, alinhavo umas frases. :)

Bom fim-de-semana. Beijinho