sexta-feira, outubro 30, 2015

Poucas vezes nos ocorre

Poucas vezes nos ocorre que um amigo possa ficar doente. Quando pensamos num amigo, associamo-lo, por norma, a lugares de convívio, a espaços íntimos de partilha, a tardes lentas numa esplanada, num café, na nossa sala, ainda que as conversas nem sempre sejam sobre temas agradáveis e que nem sempre estejamos felizes. 
Não é suposto imaginá-lo numa enfermaria, numa cama de hospital, ligado a uma máquina. Sobretudo se, ao longo da nossa vida, vivenciámos poucas situações de doença em pessoas jovens ou se as pessoas que nos surgem subitamente frágeis, indefesas, se revelaram saudáveis no decurso de muitos anos de convívio.
É certo que este amigo sobre quem escrevo já passou a barreira dos 50, mas eu esqueço-me que algumas pessoas envelhecem. Aliás, esqueço-me frequentemente que eu própria envelheço e que, daqui a poucos anos, também terei atingido a barreira dos 50. Será que algum dia conseguiremos ver-nos com a idade que realmente temos? 
Ocorre-me que, não raras vezes, o meu pai, quando se refere a um colega de escola ou de trabalho dos seus tempos de juventude, costuma usar a expressão «um rapaz do meu tempo».

6 comentários:

Isabel disse...

O meu pai também dizia "um rapaz do meu tempo" e já tinha mais de 70 anos. Nós riamo-nos com isso e agora dou comigo a pensar como hei-de dizer para me referir a "uma rapariga do meu tempo"!
Eu já fiz 55 e às vezes espanto-me com isso. Na minha cabeça não sou ainda essa "cota"...

Desejo as melhoras do teu amigo.
Acabamos por aceitar a doença, os sucessos e insucessos relacionados, porque a vida é mesmo assim.

Bom fim-de-semana:)

nêspera disse...

Obrigada por me lembrares que também eu já passei a barreira dos 50… :P

:D

pcristinasantos disse...

Luísa, é um processo esse de olhar as pessoas sempre da mesma maneira, talvez seja preservar o que é essencial nelas e se calhar, também em nós. Um beijinho e coragem (do coração. :)

deep disse...

Isabel, penso que podes muito bem usar a expressão. Eu não diria que tens 55 anos.

Obrigada. O meu amigo já teve alta, embora ainda esteja um pouco frágil.

nêspera, não te conheço pessoalmente, mas imagino que a idade não seja um problema! :)

Paula, ainda bem que assim é. Obrigada. :)

Boa semana e beijinhos para todas :)

Isabel Pires disse...

Deep, desde ontem que ando a pensar neste teu post, a digerir as palavras.
Normalmente, nós vemos mais o envelhecimento dos outros do que o nosso. Parece que a natureza nos entregou um mecanismo de protecção que nos empurra para a frente e faz com que a auto-estima se mantenha num patamar confortável.
Sim, felizmente nós temos tendência a associar os nossos amigos a situações felizes e é por isso que sofremos com eles quando os fios da vida abanam. E isto levou-me a pensar nas circunstâncias em que estive do outro lado, da doença, da fragilidade. Tanto nas situações de tratamento em ambulatório, como na altura da cirurgia, optei por entrar e sair sozinha. Numa tentativa de preservar os meus próximos de me verem menos bem. Não nego o campo de solidão em que me senti, nem sei se é a forma mais acertada de tratar destas coisas... Mesmo para os outros pode não ser, pode criar-lhes maior preocupação. Não sei...
Pois, eu estou encostada aos 52 anos e com alguma frequência digo "rapariga ou rapaz da minha idade". Faço-o porque considero a expressão carinhosa.
Ainda bem que o teu amigo está a recuperar.
Beijo

deep disse...

Isabel, é certo que detectamos sobretudo o envelhecimento nos outros, sobretudo se deixarmos de os ver durante algum tempo, ainda assim detectamo-lo mais a nível físico.
Admiro a tua coragem e o teu altruísmo, que eu não seria capaz de ter numa situação de doença (sou uma piegas!). Se um amigo ou um familiar se isolasse numa situação de doença, ficaria de certeza muito preocupada.

Boa semana. :) Beijo