sábado, outubro 17, 2015

Cada coisa a seu tempo


Telhados da Mouraria

Pois é, Lisboa,eu queria muito reconciliar-me contigo, mas, convenhamos, ultimamente arranjaste motivos, para somar aos que já tinha, para me afastar de ti. Sei bem que a culpa não é só tua. Na verdade, tu até te esforças por seres simpática: exibes sempre esse sorriso franco de cidade luminosa voltada para o rio, expias as tuas dores em fados que cantam dores alheias, insinuas-te em sete colinas. Ainda que reconheça e aprecie tudo isso, não estou preparada para um encontro - nem a promessa de que será na companhia do Pessoa me convence! Por enquanto, além dos quinhentos quilómetros que nunca superaremos, há um mar de mágoas a separar-nos.
Sabes bem que nem sempre me foste adversa, ainda que nunca tenha conseguido sentir-me completamente à vontade na tua presença. (Não te ofendas, mas continuo a preferir o Douro e a cidade cinzenta que o abraça.) Sabes bem que aprendi muito contigo, que me proporcionaste muitos momentos felizes. Não quero parecer ingrata. Só preciso de tempo. Sim, é só uma questão de tempo. Uma cidade antiga como tu está habituada a esperar. Sei, por isso, que esperarás por mim. Há que saber esperar, pois, como escreveu o poeta Pessoa, «Cada coisa a seu tempo tem seu tempo».

8 comentários:

Isabel disse...

Gostei da foto e do texto.
Eu gosto muito de Lisboa, embora a conheça muito mal. Gostava de conhecer o suficiente para andar por lá e não me perder.

Beijinhos:)

deep disse...

Obrigada, Isabel. :)

Apesar de ter passado muitas férias do Verão e fins-de-semana em Lisboa, na adolescência e quando vivia no Porto, não a conheço muito bem, mas também gostava.

Bom domingo. :) Beijinhos

Isabel Pires disse...

Bonita homenagem a Lisboa!
Sorri porque para mim parece estranho, coisa de brincadeira... Amo Lisboa. Não posso estar muito tempo sem a palmilhar. Amanhã hei-de voltar a pisar aquelas pedras.
Bom domingo, deep.

deep disse...

Obrigada, Isabel Pires.
Em resposta, cito Pessoa: »O poeta é um fingidor/ Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente.». Ainda que eu não seja poeta...

Não vou a Lisboa há mais de um ano. Lamento que seja tão longe. Há muitas coisas de que gosto naquela cidade.

Um bom domingo, Isabel. :)

pcristinasantos disse...


Lisboa, é uma cidade que se entranha. Sabe bem ir e voltar!

deep disse...

... mas que, ao contrário do Porto, não se estranha, Paula!

Um dia, volto! Bj

CCF disse...

Isto de ser mais ou menos de lugar nenhum deixa-nos livre para os amar a todos, por isso gosto muito das duas cidades, embora gostar do Porto seja coisa bem mais recente. De resto estudei muito perto de Alfama, era só subir umas escadinhas e estava lá. Tenho saudades. Mas devo-lhe recomendar que não venha em Agosto ou se vier afaste-se dos locais turísticos, são tomados de assalto. E já agora, quando vier, ponha a cidade do Sado no roteiro, vai ver que vale a pena.
Abraço
~CC~

deep disse...

CC, a maior parte das vezes, estive em Lisboa em Agosto. Nesses tempos, não andei muito por locais turísticos, embora tenha experimentado a sensação inclusivé em Abril.
Quanto à cidade do Sado, onde passei, em anos diferentes, vários dias no Verão, tenho mais do que motivos para a visitar novamente. :)

Bom domingo. Abraço