sábado, setembro 12, 2015

Setembro


Setembro ressuscita os nossos mortos
senta-os nas varandas onde secam os figos
e as casulas, onde cheira ainda a maçãs,
e ali, de mãos pousadas no regaço,
desfiam histórias antigas.

Tornam-nos a vida mais breve
essas horas curtas de Setembro,
em que reaprendemos o caminho
dos campos,
a carícia das mãos sobre as uvas,
o doce sumo dos frutos.

Neste mês de luz coada,
em que o sol põe arrepios sobre a pele,
que conserva ainda a memória do verão,
seguiste o caminho que te afastava de mim.

Das amoras, ficou-me esta tinta indelével
na ponta dos dedos.

Deep, 10 de Setembro de 2013

Em repetição por aqui...

8 comentários:

Isabel Pires disse...

Os dias de Setembro parecem-me mais facilitadores do equilíbrio. Como se fossem feitos de uma doçura morna que ajuda a fazer escolhas.
Bom fim-de-semana!

tsiwari disse...

em setembro podes fazer da tua vida uma vida mais longa.

e sabes como :-)

pcristinasantos disse...

Bom, de reler. :-)

deep disse...

Isabel, por vezes, Setembro obriga-nos a fazer escolhas. Setembro é a despedida do Verão, que desejamos que se prolongue.

Bom domingo! :)

tsiwari, gosto de te rever (e ter) por cá. :) Não sei se sei... quem me dera saber!

Paula, obrigada. :)

deep disse...

Bom domingo para todos! :)

Mar Arável disse...

Belo o caminho em todos os apeadeiros

deep disse...

Sem dúvida, Mar Arável. :)

Carmem Grinheiro disse...

Olá, Deep
este mês de "luz coada" que vai nos arrefecendo o corpo também tem suas belezas, a fim de nos compensar da perda do verão ;)

Belo poema.
bj amg