sábado, julho 18, 2015

E lá que tu moras ainda

Há quatro anos, partia uma das melhores pessoas que conheci. Apesar de terem passado estes anos, por vezes, quando me acontece alguma coisa e sinto necessidade de falar com alguém, ainda é a primeira pessoa a quem me ocorre telefonar.
Foi para ela que escrevinhei o "devaneio" que hoje republico. Foi com ela que ouvi repetidamente "Wish you were", numa noite, perto de Lagos.
Acredito que as pessoas que amamos nunca partem, pelo menos não do nosso coração.

É lá que tu moras ainda:
nos jogos da infância,
no sabor do café com leite,
na textura do pão com manteiga.

É lá que moras também:
nas madrugadas de confidências,
nas palavras escritas trocadas
em demoradas cartas,
na sombra dos castanheiros.

É também ali que ainda te procuro:
num fim de tarde na praia,
num bailado da Pina Bausch,
nos acordes da guitarra de David Gilmour,
no olhar enigmático do Corto Maltese.

É aqui que ainda te encontro:
nas minhas horas de insónia,
na dor que, de mansinho, assoma,
quando a minha voz se cala
na evidência de já não seres.

Deep, 16/11/ 2011


9 comentários:

Lídia Borges disse...

«Acredito que as pessoas que amamos nunca partem, pelo menos não do nosso coração.»

Eu também acredito.

Um beijo

Lídia

Isabel Pires disse...

Já tinha reparado em comentários que deixas em blogues. Hoje, fiquei especialmente sensibilizada com o que escreveste nas "novas cartas de marear" e vim visitar a tua casa.
Gosto muito!
Um beijo especial neste dia.

nêspera disse...

:’)
Ficou feliz a pessoa para quem escreveste o poema. E mandou dizer que, apesar de também ouvir "Wish you were”, quer-te quer onde estás.

Beijo :)

Isabel disse...

Esta canção é muito bonita. Curiosamente também a ouvi há dias no blogue Falcão de Jade.

Gostei muito do poema. É sempre muito triste quando parte alguém de que gostamos...fica um vazio na nossa vida que nunca mais pode ser preenchido. Mas a vida é assim...

Bom domingo:)

deep disse...

Um beijo, Lídia. Obrigada. :)

Isabel Pires, obrigada, pela visita e pelas palavras. Um beijo :)

Nêspera, por vezes, é bom acreditar que a pessoa só está mais longe. Obrigada. :) Beijo

Isabel, obrigada. Bj e bom domingo :)

pcristinasantos disse...

Ès linda, querida amiga!
Toca-me sempre esta música, e tantas vezes a publicas noutras paragens, fico sempre com a sensação de saudade que tão bem conheço, e sem saber, imaginava a coragem que tens. As tuas palavras reforçam-na.
Um abraço!

deep disse...

Paulinha, imagino que sintas, mais do que eu, a saudade. Esta há-de ser sempre a música que eu e a minha prima ouvimos repetidamente, num gravador antigo, para conseguirmos registar a letra (num tempo em que não havia internet). Quando penso nela e na falta que me faz não me sinto nada corajosa. Obrigada pelas tuas palavras e pelo carinho, amiga. Um xi apertado. :)

Kátia disse...

Uma perda nunca é esquecida.E sendo de alguém tão especial,sentimos como se ela estivesse todo tempo ao nosso lado,mas na realidade é porque ela deixou-se estar em nosso coração.

Sei bem... :-(
Beijinhos!

deep disse...

Kátia, é mesmo assim. :)

Beijinhos