quinta-feira, maio 07, 2015

Na lista dos teus fins venho no fim

Na lista dos teus fins venho no fim
de uma página nunca publicada,
e é justo que assim seja. Embora saiba
mexer palavras, e doer de frente,
e tenha esse talento conhecido
de acordar de manhã, dormir à noite,
e ser, o dia todo, como gente,
nunca curei, como previa, a lepra,
nem decifrei o delicado enigma
da letra morta que nos antecede.
Por muito te querer, talvez pudesses
dar-me um lugar qualquer mais adiante,
despir-te de pudor por um instante
e deixá-lo cobrir-me como um manto.

António Franco Alexandre, Aracne

3 comentários:

Carmem Grinheiro disse...

Tão triste lamento.
Não sei se é aceitável, vir lá no fim da lista...

bj amg

Mar Arável disse...

Não há fim

nem princípio

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

Há sempre cura no gesto...