sexta-feira, maio 15, 2015

Devaneios

Sinto que cresci contigo,
que aprendi uma linguagem nova
para dialogar com o meu corpo.

Mas aprendi também
que não basta dizer à dor
que pare,
não basta gritar-lhe que vá embora.
Ela teima, persiste,
mais agora, que me faltam as forças,
mais agora que perdi o jeito
para iludir as esperas.

Sei que cresci contigo,. 
Aprendi que há sentimentos
que habitam o limiar do indizível
e têm a duração duma luz fugaz
que antecede a noite.

Aprendi que não há crescimento
sem dor
e que, por mais que jogue,
jamais conhecerei as regras do jogo
jamais serei o jogador astuto e
destro na arte da batota.

deep, 15 de Maio de 2015

10 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

todos os dias aprendemos algo.
e já é tanto!
belo o teu poema!
bom final de semana.
beijo
:)

deep disse...

Obrigada, Piedade! :)

Bom fim-de-semana. Bj

pcristinasantos disse...

Muito bonito! Sentido de sentir, sentido da vida, sentido da metáfora que nos leva ao princípio do indizível. you konw what I mean! :) Beijos

deep disse...

Obrigada, Paula. :)

Beijos e votos de óptimo fim-de-semana.

CCF disse...

É bonito, também um bocadinho triste. Que sejam as palavras a absorver essa tristeza
~CC~.

deep disse...

Obrigada, CC. :) As palavras, sobretudo escritas, ajudam sempre a aliviar as feridas ou a cauterizá-las.

Bj e votos de bom fim-de-semana. :)

Isabel disse...

Gostei muito do poema. Escreves bem.

Boa semana:)

deep disse...

Obrigada, Isabel! :)

Carmem Grinheiro disse...

Poema que rima com desabafo. Bonito.
Passávamos bem sem os ensinamentos da dor, mas ela é mesmo persistente.

bj amg

deep disse...

Seria mais fácil se não tivéssemos a dor por companhia, Carmem. :)

Obrigada!

Bj