sábado, dezembro 13, 2014

Palavras minhas

Palavras que disseste e já não dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.

Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.

Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
à noite que assomava ao meu ouvido...

Palavras que não dizes, nem são tuas,
que morreram, que em ti já não existem
- que são minhas, só minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas.

Pedro Tamen, Tábua de Matérias

6 comentários:

Ana P disse...

Este poema é tão bonito..

Mar Arável disse...

Boa memória partilhada

deep disse...

É sim, Ana: :)

As boas memórias devem ser partilhadas, Mar Arável. :)

pcristinasantos disse...

e assim se permanece :)

deep disse...

:)

DIOGO_MAR disse...

As palavras são cinzel do tempo, que esculpimos a pedra bruta da vida, lapidando a geometria dos dias.
Um próspero 2015 repleto de tudo aquilo que almejas.

http://diogo-mar.blogspot.com/