sexta-feira, dezembro 05, 2014

É tudo tão pequeno esta manhã

É tudo tão pequeno esta manhã.

As aves acordaram surpreendidas,
a voarem nos meus olhos
curvas fatigadas
de Primavera morta…

As mãos caem-me secas
ao longo do corpo
em folhas recortadas
de árvore de solidão…

As raízes sugam-me nas veias
o sangue da terra
das manhãs de sussurro…

Sim. Hoje só eu existo…

Eu com este remorso de gota de água
que se recusa a cair no mar
 para se sentir maior

longe da cólera comum da Tempestade.

José Gomes Ferreira

2 comentários:

CCF disse...

Gosto sempre tanto dele!
~CC~

deep disse...

Eu também, CC!:)