terça-feira, novembro 11, 2014

Coisas de mulher*

«Um comum fio invisível prende as mulheres aos astros. Harmonizadas com as estrelas, ainda que não o saibam, todas as mulheres têm vocação para o infinito. Nós, os homens, ao contrário, estamos soltos na imensidão como gravetos num rio. Talvez por isso, os homens sejam naturalmente nómadas, naturalmente solitários e egoístas, e as mulheres gregárias, altruístas, sedentárias. A sedentarização das civilizações seria, nesta perspectiva, um triunfo feminino.»


José Eduardo Agualusa, A Substância do Amor e Outras Crónicas

*Título da crónica à qual pertencem as palavras transcritas

6 comentários:

CCF disse...

Desconfio...sou mulher nómada.
~CC~

Lídia Borges disse...


Presas aos astros por um fio invisível...

Gosto da imagem ainda que esse fio seja uma limitação que a mulher de hoje não aceita, independentemente do seu carácter agregador e altruísta, que resulta mais do modo como as sociedades se organizaram, ao longo dos tempos, do que propriamente de causas naturais.


Bj.

Helena disse...

Uma visão interessante.
Prefiro estar ligada aos astros do que ser graveto num rio.
:)

pcristinasantos disse...

Bonito texto, sem ser feminista, penso que assim é :-)

deep disse...

Também há mulheres nómadas, cada vez mais., CC. Ainda bem... digo eu!

Podemos sempre ver nestas palavras uma espécie de consagração da mulher, como o reconhecimento da sua vertente mais espiritual, Lídia. :)

Bj

Helena, também. :)

Paulinha, gostei do texto sobretudo pelo que tem de poético. :)

pcristinasantos disse...

Talvez o autor queira dzer que nós mulheres vamos mais longe sem termos de sair do sítio.
Concordo que somos cada vez mais nómadas, mas continuamos a ser multifacetadas, como no tempo das cavernas ;)