terça-feira, junho 03, 2014

Sobre os livros e a leitura


(Quint Buchholz, "A saudação")

Escrevo este post inspirada nas palavras que a Maria do Rosário Pedreira escreveu aqui a propósito da leitura.
Também eu oiço dizer ou surpreendo-me a dizê-lo que hoje se lê menos. Contudo, não estou muito certa disso. 
Durante a adolescência e o tempo da faculdade, eu própria lia mais do que hoje, ainda que dispusesse de menos meios para comprar livros. Nesse tempo, frequentava a biblioteca da Gulbenkian, que ficava a uns passos da minha casa, no antigo convento de S. Francisco, mesmo ao lado da casa onde nasceu o ilustre transmontano Trindade Coelho, ou aproveitava os empréstimos de amigos. Em casa, não faltavam os livros exigidos pela escola - esses nunca se pediam emprestados, ainda que se emprestassem e se perdessem alguns pelo caminho.
Para quem, como eu, vivia numa vila de província, que oferecia poucas alternativas de entretenimento, ler, havendo apetência para tal, podia ser uma boa maneira de fugir à canícula ou de conhecer outros mundos sem sair do quarto. Eu, como alguns amigos e conhecidos, lia bastante - ainda que as escolhas, por falta de orientação, nem sempre fossem as melhores -, mas, reconheço, a maior parte dos jovens daquele tempo não o fazia. Aliás, estou convencida de que, se a leitura fosse um hábito adquirido na infância e na juventude, algumas pessoas que hoje têm a minha idade leriam ou leriam mais e teriam mais preocupação em incutir esse hábitos nos filhos.
Hoje, eu própria leio muito menos do que gostaria e do que seria desejável, apesar de ter um acesso mais fácil aos livros. Os apelos são muitos mais e o tempo que as obrigações nos tomam impedem-nos de usufruir desses companheiros, que vão esperando pacientes nas prateleiras ou na mesa de cabeceira.
Acredito, apesar de tudo, que o número de leitores seja actualmente maior. Os ofertas são diversificadas, há mais preocupação em divulgar o livro e a leitura, pelo que algumas pessoas se sentem quase coagidas a ser leitores, sob pena de serem consideradas incultas. Se aquilo que lemos tem mais ou menos qualidade, isso é outro assunto. 

8 comentários:

Mar Arável disse...

Tudo se move

até o vento

Bj

Hipatia disse...

não tem nada a ver com o post - sou má! (além de estar demasiado cansada para escrever mais do que isto) - mas era só para te mandar ao mail. É que aqui a má mandou prenda, que às vezes engana-se e é boazinha, lembrando os gostos (musicais) das amigas. Afinal, também se enriquece pela variedade auditiva e com a vista cada vez mais cansada, pois os livros... cansam-me :D

Isabel disse...

A ideia que tenho é de que se compram mais livros, mas a qualidade...

Também li muitos livrinhos da biblioteca , quando era garota.

Eu ultimamente tenho lido pouco. Chego cansadíssima ao fim do dia.

Mas vêm aí as férias...yupiii!

deep disse...

Esse faz mover, Mar Arável. :)
Bj

Hipatia, obrigada, desde já pelo "egoísmo" da oferta.
É certo: também enriquecemos pela variedade musical, sobretudo quando há quem tenha a generosidade de partilhar a música que não conhecemos ou que conhecemos mal connosco.
Bj
(Fui ao mail e não encontrei nada.)

Isabel, o trabalho e o cansaço também me têm impedido de ler os livros que me esperam nas estantes.
Bj

Armando Sena disse...

Por mau que seja um livro, será certamente melhor que a maior parte do lixo televisivo.
O prazer de ler continua imbatível.
bj

Hipatia disse...

Ah! Garanto-te que conheces e gostas :D vai ver outra vez ;)

deep disse...

Armando Sena, se não sempre, pelo menos a maior parte das vezes. :)

Bj

Hipatia, já está quase! Tinha ido parar ao "Lixo".
Gosto, pois! Muito, muito obrigada.
Bjs

deep disse...

Armando Sena, se não sempre, pelo menos a maior parte das vezes. :)

Bj

Hipatia, já está quase! Tinha ido parar ao "Lixo".
Gosto, pois! Muito, muito obrigada.
Bjs