domingo, abril 27, 2014

R.I.P., poeta

IX

e uma tarde tu
falaste-me da sombra,
da solidez do reino
de árvores imponderáveis.

mostrei-te a luz das praças
e das arcadas, viste
que a sombra era um reduto
só de acompanhamentos.

e viste o sol, o seu
benéfico poder, as tuas
narinas estremeceram
como se de um perfume

de archotes aromáticos:
as árvores ardiam.

Vasco Graça Moura, Nó cego, o regresso

6 comentários:

josé luís disse...

uma tristeza enorme.

deep disse...

Fica a obra e através dela continuará a viver. Não é assim?

josé luís disse...

claro ;)

deep disse...

;)

Isabel disse...

Lindo!

deep disse...

Muito, Isabel. :)