domingo, abril 27, 2014

a rosa, timbres



e outro silêncio enquanto o som repousa:
desfez-se o rebordo numa espuma.
de que sombra dos sons se faz a rosa?
da matéria das sombras? de nenhuma?

de que fosco murmúrio, cristal, bruma?
de que espirais da noite vagarosa?
do coração desfeito? ou não costuma
a luz gravar-se em sombras numa lousa?

coração rouco, o coração. falhada,
a voz vinda do vento se desate
num ramo de penumbras, descontínuo

o mundo passe a ser feito de nada,
só de efémeras rosas a rebate,
como gritos de sangue no destino.

Vasco Graça Moura, Sonetos Familiares

4 comentários:

josé luís disse...

bem lembrado :)
(e a calçelfie é uma delícia)

deep disse...

:)

Nos Açores, as calçadas são uma tentação.

Isabel disse...

Belíssima homenagem!

Uma boa semana, Deep!

deep disse...

Boa semana, Isabel. :)