terça-feira, maio 14, 2013

Por vezes, ignoramos



Por vezes, ignoramos o leito do rio,
ignoramos que há barcos que se perdem
na voragem dos dias.

Buscamos, pela tarde,
a sombra das árvores,
o canto primordial de um regato.

Ansiamos por um canto de ave,
pela suave ondulação de uma seara.

Mas vê como, subitamente,
a luz afrouxa com a passagem
das horas.

Repara como a margem
se fez lamacenta,
como é maior agora
a distância entre os meus dedos
e o teu cabelo.

Em breve, nada sobrará
que possa ser, entre nós,
dádiva...

Deep/ Maio de 2013

8 comentários:

Cristina Cebola disse...

Com o tempo nem tudo se perde...às vezes há coisas que se aprimoram!!

Poema sublime, com grande intensidade poética!

Abraço!

deep disse...

Obrigada, Cristina, pelas palavras e pela visita. Abraço. :)

Jota Effe Esse disse...

Uma coisa pelo menos vai sobrar: Esse belo poema. Meu beijo.

deep disse...

Obrigada, Jota Effe Esse! :)

Mar Arável disse...

Há sempre uma luz

no outro lado do cais

deep disse...

Assim é, Mar Arável. :)

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

E, no entanto, neste dizer tao belo, há um sentir que fica, e que trará tudo de novo... nesta ou noutra dádiva que a vida fará encontrar :)

Gostei muito.

Beijo amigo

deep disse...

Muito obrigada, Daniel. :)