terça-feira, maio 21, 2013

Nós, os outros e o passado

Passamos o tempo a tentar recuperar o passado, a resgatar pessoas e acontecimentos, como se fosse possível voltar atrás e repor as coisas nos lugares aos quais pertenciam ou pareciam pertencer. Por isso, coleccionamos números de telefone, que ficam depositados nos cadernos de endereços ou no telemóvel e que só excepcionalmente usamos, por isso pedimos ou aceitamos amizade no Facebook de pessoas que tiveram residência na nossa vida e que procuraram outras moradas, por isso relemos a correspondência que guardamos religiosamente e nos comovemos com fotos antigas.
Sabemos que nada regressa, muitas vezes nem queremos que as coisas voltem a ser exactamente como antes. Desejamos que as pessoas voltem mais maduras, com novas experiências para partilhar e uma disponibilidade diferente para os sentimentos, que não têm de ser os de antes. Chegamos a acreditar que sobreviveríamos a uma serena amizade com alguém com quem antes vivemos um amor que, durante tempo demais, ameaçou destruir-nos. Queremos acreditar que nós próprios teremos mais para dar, que seremos capazes de nos reinventarmos. 
Não há recuperação possível, porque, obviamente, o tempo corre mais depressa do que nós e a vida precipita-nos por caminhos diferentes e também talvez porque a vontade do "resgate" não é sempre de uma e de outra parte simultânea.

10 comentários:

Hipatia disse...

Só somos responsáveis pelo nosso crescimento, amiga. Mas não vivemos isolados: somos também o que todos os que tiveram impacto na nossa vida fizeram de nós. E somos feitos de memórias e vamos continuar a guardá-las como números de telefone que há muito esquecemos de usar. Talvez um dia...

© Piedade Araújo Sol disse...

concordo com o texto...

:)

João disse...

Bela reflexão. Belo texto... Mas se uns saem, vão entrando outros... Não?

Mar Arável disse...

O futuro

é o instante que segue
mas sem memórias
não existem amanhãs

deep disse...

Hipatia, as experiências, as aprendizagens e as memórias ficam connosco e, sem elas, seríamos obviamente outras pessoas. Ninguém passa na nossa vida sem deixar rasto. :)

Piedade, ;).

João, obrigada. Querer recuperar as pessoas que ficaram "presas" no passado não significa desvalorizar as que pertencem ao presente! Muito pelo contrário. :)

Mar Arável, assim é: o futuro é a soma também das memórias. :)

Cadinho RoCo disse...

Do nosso sentir mundo inteiro de sensações.
Cadinho RoCo

Lídia Borges disse...


O tempo, um obreiro de memórias que nos dizem e nos fazem, rumo ao futuro.

Um beijo

Armando Sena disse...

O contraponto: Haverá algo mais belo do que a busca da utopia ou a demanda constante do que nos faz felizes?
A serenidade também passa por compreender o passado.
Abraço

Isabel disse...

Guardo muitas recordações, mas não me detenho muito a pensar no que foi ou não.
As pessoas vão passando pela nossa vida e as que ficam são as que devem ficar, as que partem, as que devem partir...
E tudo vai fazendo de nós a pessoa que somos. Importante é não haver nada a lamentar, que nos impeça de viver o presente.
Gostei do texto.
(Hoje consegui entrar sem nenhuma dificuldade; vá lá a gente perceber esta net!)
Boa semana!

deep disse...

Cadinho, sem dúvida. :)

Lídia, como escreveu a Sophia "Jamais se detém chronos...". :) Um beijo

Armando, é importante compreender o passado e integrá-lo na nossa vida, para que possamos viver melhor o futuro. Um abraço. :)

Isabel, eu já fui mais saudosista. Hoje, só muito de vez em quando me entrego à nostalgia do passado.
Talvez seja isso: fica quem tem de ficar.
Boa semana. :)