quinta-feira, novembro 22, 2012

Rosto

Nunca vieste
quando o desejo
fazia um entalhe de sofrimento e apelo
na polpa, madura, do dia.

Nunca vieste
quando um golpe de luar
abria ao lado do meu corpo
um lençol fresco, para acolher-te.

A tua boca não prendeu
a flor dos meus lábios.
Nunca calei no teu beijo
a indizível palavra.

Nunca vieste

Respirei-te no sonho.
A morte terá o teu rosto desconhecido.

Luísa Dacosta, A maresia e o sargaço dos dias

4 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

não és a única....

;)

deep disse...

Imagino que não seja. :)

© Piedade Araújo Sol disse...

desculpa,este comentário era para o poste "falta-me tempo"

não sei como o coloquei mal

;)

deep disse...

Eu percebi, Piedade. :)

Bom resto de fim-de-semana.