quinta-feira, outubro 25, 2012

O amor

Estou a amar-te como o frio
corta os lábios.


A arrancar a raiz
ao mais diminuto dos rios.

A inundar-te de facas,
de saliva esperma lume.

Estou a rodear de agulhas
a boca mais vulnerável.

A marcar sobre os teus flancos
itinerários da espuma.

Assim é o amor: mortal e navegável

Eugénio de Andrade 

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