quinta-feira, julho 12, 2012

Prelúdio


Ressoam nas colinas do silêncio
as palavras paradas, por dizer:
sustidas, refreadas, frias, tensas
apetece libertá-las, a saber,
avivar a língua, silabá-las,
atear-lhes a voz, pô-las a arder,
despertar-lhes os sentidos - e afagá-las
comprazidas num corpo de mulher.

Apetece acolher, pegar em duas
ou três das palavras soltas, nuas
e com elas longamente conversar,
e manter a mais rouca, mais bravia
- prelúdio matinal da rebeldia -
sobre as dunas do tempo a galopar.

Domingos da Mota

5 comentários:

Anónimo disse...

Autor e poema desconhecidos. Muito bom.

deep disse...

Também desconhecia até ontem.:)

Domingos da Mota disse...

Grato pela divulgação PRELÚDIO.

(Cheguei aqui via blog Correio do Porto).

Domingos da Mota disse...

Errata: Grato pela divulgação do PRELÚDIO.

deep disse...

Domingos, sou eu quem deve agradecer - a sua poesia e a sua visita. Volte sempre. :)