terça-feira, junho 12, 2012

Talvez...

Talvez seja isso: uma espécie de entorpecimento. Ou talvez seja só a idade a reclamar bom senso e ponderação. Ou, quem sabe, não passa apenas de um sinal de cansaço.
Na realidade, nunca fui uma pessoa exuberante na manifestação de afectos e de emoções. Se há uma palavra que me define é “contenção” – nas emoções, nos gestos, nas palavras. Mentiria se afirmasse que sou sempre contida nas palavras, pois, por vezes, sobretudo com os meus, consigo ser sobejamente intempestiva e dura nas palavras que lhes dirijo.
De tanto exercitar a contenção, é provável que tenha ficado, de facto, entorpecida. Talvez seja isso que explica que continue a refrear e a negar emoções, a travar gestos e a omitir palavras. Há, obviamente, outros factores, entre os quais o medo de cair no ridículo, de me exceder ou de ouvir “nãos”. Por isso, quando se desenha no horizonte um leve indício de que alguém possa interessar-se por mim, prefiro fabricar desculpas, a acreditar na genuinidade desse interesse.

4 comentários:

Anónimo disse...

Identifico-me completamente com o que é dito neste texto. Sou exatamente assim e já perdi tanto por isso mesmo. Infelizmente, nisto, a vida nunca me mudou. É bom saber que há mais gente que sente assim.

Nilson Barcelli disse...

Há ridículos que podem trazer vantagens: exemplo do Futre com os charters de chineses... À custa disso, fez publicidade, um programa de televisão e umas quantas coisas mais. Apenas porque ele não tem medo do ridículo...
De qualquer modo, nem sequer é preciso cair no ridículo como o Futre. Para as pessoas de bom senso como tu, o ridículo nem sequer se aplica.
Eu percebo-te. Mas tens que mudar rapidamente.
Beijo, querida amiga.

deep disse...

Assim é, tudo estaria bem se não fosse o que vamos perdendo. Eu sei que, por vezes, tomam esta minha forma de ser com indiferença. Talvez seja isso que vai afastando algumas pessoas.

Nilson, podes crer, se há figura que encarna o ridículo - e que até tirou partido dele - é esse senhor.
Vou esforçar-me por seguir o teu sábio conselho. Obrigada, amigo.
Beijinhos

Um bom resto de semana para ambos. :)

Anónimo disse...

Entendo-te tão bem...às vezes também me sinto assim e assim é achar sempre não ser merecedora de um determinado tipo de interesse ou achar que é só brincadeira...e é pensar em pessoas que conheci e de como se fizeram merecedoras desse tipo de interesse, lutando contra tudo e todos, acreditando em si mesmas...

Elsa A.