quarta-feira, janeiro 25, 2012

Quando nos dá para as arrumações...


... pode acontecer esbarrarmos com as palavras dos outros. 


O poema que, de seguida, transcrevo foi escrito, há muitos anos, por um amigo. Desconheço se publicou este e outros poemas que me deu a ler. Encontrá-los foi uma boa surpresa. Espero que, se por algum acaso, ele chegar aqui, não se zangue com esta minha ousadia.

A margem do silêncio
floresce, muda, nas sombras.

Na hora 
incerta em que 
o orvalho fecunda
(as palavras 
mordidas em sobressalto).

Silêncio flor silêncio
Silêncio flor silêncio

E a vertigem do abismo
assalta-me... pela manhã.

N. B.

2 comentários:

Isabel Preto disse...

Lindo, o poema! Confesso que, ao ler o título, nunca pensei encontrar palavras em jeito de poesia! Pensei:"Mais uma como eu, quando se põe a arrumar, esvazia tudo!" É que ainda há poucos dias, deixei o meu guarda-fatos quase despido, porque ou a roupa já não me servia(eu aumentei muito de volume nos últimos meses, infelizmente!), ou era do tempo da minha avó:)))))
Beijos e obrigada pelo lindo poema. De certeza, esse amigo antigo irá sentir orgulho por partilhares e por o teres guardado.

Lídia Borges disse...

Belíssimo! Encontrar palavras destas perdidas é uma sorte. Ainda bem que as encontrou e as trouxe aqui.

L.B.