sexta-feira, junho 10, 2011


(Escher, "Pássaros")
Secaram-me os versos
quando o coração
no rigor dos dias se fez pedra.


Secou em mim o amor,
quando me recusaste a ternura líquida
dos teus olhos e o alimento
que ofertavas com as tuas mãos,
com o teu corpo em febre.


Tornaram-se secas as palavras,
até, noite após noite,
se perderem na negritude fria
das esperas.


Um grito de ave
corta o silêncio, fere a noite em cinza.
Afiada faca que dilacera,
que faz em pedaços o que era ainda
promessa em mim.


Deep, há minutos

3 comentários:

Susana canhola disse...

Lindíssimo poema!

deep disse...

Obrigada, Susana e seja bem vinda a esta "casa". :)

anamaria disse...

Magnífico!