sábado, junho 04, 2011

As boas raparigas vão para o céu...

Tenho agora mais do que a certeza - porque as suspeitas há muito que têm vindo a assaltar-me - de que não compensa ser boa rapariga, porque a verdade é que quanto mais me esforço por não sair da linha, por assumir atitudes de civismo e de respeito pelos outros, maior é o meu desespero quando esbarro com a arrogância e o egocentrismo alheios.
Dizia-me, há tempos, uma prima que, felizmente para ela, consegue ser um pouco mais transgressora do que eu, que se houvesse mais pessoas como eu o mundo seria melhor. Eu sei que foi um elogio - que eu não trago para aqui para me vangloriar da minha "santidade", até porque é qualidade que eu ponho em dúvida nos outros, quanto mais em mim -, mas não pude deixar de me sentir um pouquinho "extraterrestre" e de pensar que seria mais feliz se conseguisse ser mais descontraída e não me importar com as transgressões alheias.
Tudo isto vem a propósito de uma conversa que tive há minutos com uma amiga, durante o nosso curto mas habitual café de sábado, sobre o comportamento desrespeitador de alguns dos meus vizinhos, que usam e abusam do espaço comum, como se fosse a "casa da sogra" (suspeito que alguns na casa da sogra não têm a "lata" de fazer o mesmo). 
De que me vale, quando limpo a casa, esforçar-me por aspirar os tapetes, se a vizinha do lado sacode os dela com todo o vigor e o pó se espalhe e se infiltre nas casas dos outros? (O conceito que certas pessoas têm de limpeza é um pouco estranho.) De que me serve, esforçar-me por fazer o mínimo barulho possível quando me deito tarde, se os vizinhos chegam de madrugada e atiram com a porta ou inventam bricolages barulhentas logo de madrugada nos fins-de-semana, interrompendo o meu mais do que merecido descanso? Por que carga de água passo a vida a recomendar às crianças que frequentam a minha casa que moderem as brincadeiras, se alguns dos vizinhos permitem que os filhos façam gincanas com as cadeiras?
Definitivamente, o melhor mesmo é esforçar-me por deixar de ser boa rapariga, porque é sempre melhor ir a todo o lado do que ter o céu como garantia.

3 comentários:

Isabel Preto disse...

Como te entendo! Tenho sentido isso, na pele, em vários sentidos. Na escola, por exemplo, em que há 4 anos seguidos que nem uma hora falto ao serviço, e outras que se baldam...são, por vezes, mais reconhecidas. Anos e anos a fio, codificadora das Provas de Aferição e...outras metem atestado! Até com os homens, tive má sorte:)))))Conheço algumas gajas, passo a expressão, que sempre andaram com uns e com outros, acabando por casar com homens bons...eu, tive 2 e escolhi mal das 2 vezes! Enfim...para tudo é preciso ter sorte. Mas, o que importa é sentirmo-nos bem connosco próprias.

deep disse...

O importante, Isabel, é, como escreveste, sentirmo-nos bem connosco próprias e tirarmos partido dos erros. :)

Um óptimo domingo. Bjs

Anónimo disse...

desculpem lá mas eu acho que o céu deve ser aborrecido... ;)

bjokas mtas

maria3