quarta-feira, janeiro 19, 2011

Surdo, subterrâneo rio



Surdo, subterrâneo rio de palavras
me corre lento pelo corpo todo;
amor sem margens onde a lua rompe
e nimba de luar o próprio lodo.

Correr do tempo ou só rumor do frio
onde o amor se perde e a razão de amar
--- surdo, subterrâneo, impiedoso rio,
para onde vais, sem eu poder ficar?

                            Eugénio de Andrade

A minha modesta homenagem ao poeta, que completaria hoje 88 anos.

3 comentários:

tsiwari disse...

Angustiante... apesar de belo!

;)****

CCF disse...

Por aqui (a par do José Gomes Ferreira, hoje tão esquecido) comecei a gostar de poesia. Acho que foi uma bela iniciação.

Bom fds
~CC~

Anónimo disse...

tamanha limpidez de ideias magoa a vista... ainda bem que te lembraste...

bjokas

maria3