sábado, janeiro 15, 2011

Jogo

Eu, sabendo que te amo,
e como as coisas do amor são difíceis,
preparo em silêncio a mesa
do jogo, estendo as peças
sobre o tabuleiro, disponho os lugares
necessários para que tudo
comece: as cadeiras
uma em frente da outra, embora saiba
que as mãos não se podem tocar,
e que para além das dificuldades,
hesitações, recuos
ou avanços possíveis, só os olhos
transportam, talvez, uma hipótese
de entendimento. É então que chegas,
e como se um vento do norte
entrasse por uma janela aberta,
o jogo inteiro voa pelos ares,
o frio enche-te os olhos de lágrimas,
e empurras-me para dentro, onde
o fogo consome o que resta
do nosso quebra-cabeças.

Nuno Júdice

3 comentários:

Jorge Pimentel disse...

Feliz Ano Novo, para ti também, Deep.

Continua sempre assim,

capaz de sentir e revelar palavras de ser, em letras que são papeis.

capaz de ouvir o Vento Norte (ou outro) que transporte letras com sentido.

Um beijo

deep disse...

Obrigada, Jorge.

Uma óptima semana para ti. :)

Anónimo disse...

deixa vir um vento do norte dessarumar as tuas peças...

bjokas