domingo, dezembro 12, 2010

Poema destinado a haver domingo


(Ponta Delgada, 2008)


Bastam-me as cinco pontas de uma estrela
E a cor dum navio em movimento
E como ave, ficar parada a vê-la
E como flor, qualquer odor no vento.


Basta-me a lua ter aqui deixado
Um luminoso fio de cabelo
Para levar o céu todo enrolado
Na discreta ambição do meu novelo.


Só há espigas a crescer comigo
Numa seara para passear a pé
Esta distância achada pelo trigo
Que me dá só o pão daquilo que é.


Deixem ao dia a cama de um domingo
Para deitar um lírio que lhe sobre.
E a tarde cor-de-rosa de um flamingo
Seja o tecto da casa que me cobre


Baste o que o tempo traz na sua anilha
Como uma rosa traz Abril no seio.
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o Amor por fim tenha recreio.




Natália Correia

3 comentários:

Bogdan Burca disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
clorinda disse...

Bela poesia...
Gosto muito de ler esta Senhora, que foi uma grande mulher.
Obrigada pela partilha.
Abraço

CCF disse...

Fantástica Natália!
~CC~