terça-feira, outubro 19, 2010

Respiro as margens de um tempo

Respiro
as margens dum tempo
sem cuidado

e o ar é frio

atravessa os sulcos
da memória

como erva ou ave
suspensa
na manhã breve

Há um rio
parado
nesse registo

um pomar
com seus aromas

altos pinheiros
minados de solidão
e distância

Aqui penso
termina o texto ázimo
da infância

Reinvento
o que dela resta
noutro idioma

e uma dor antiga
me dói no vento

Luís Serrano, Entre Sono e Abandono

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