sábado, maio 29, 2010

Pequenas coisas


Falar do trigo e não dizer o joio. Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.

Albano Martins, Escrito a vermelho

3 comentários:

R. disse...

Este poema é de uma beleza "indizível". Desconhecia-o. Muito obrigada pela partilha. É muito enriquecedora.

Valentim Coelho disse...

Olá,
gostei da foto!
Cumprimentos!

deep disse...

R., conheci este poeta por mero acaso há uns tempos. Não há um poema dos que pude conhecer até agora de que não goste. São belíssimos na sua brevidade. Não tem que agradecer. Partilhar é um prazer. :)

Valentim Coelho, obrigada. :) Cumprimentos.