quarta-feira, julho 15, 2009

o silêncio do mar

Conheço o título há mais de vinte anos: O Silêncio do Mar de Vercors. Na verdade, conheci-o antes no original, em francês. Foi, durante anos, leitura obrigatória para os alunos de nível 7 da língua. Não o li então, porque não frequentava a disciplina e porque o meu francês de três anos me limita a leitura de obras literárias. Há dias, não me lembro bem a que propósito, uma amiga, leitora assídua e criteriosa, fez-me um resumo sucinto da obra. Propus-me, intimamente, adquiri-la. Comprei-a há dois dias e li-a, em aproximadamente duas horas, entre a noite de ontem e a hora de almoço de hoje. Na obra, cruzam-se dois monólogos: o do narrador-observador e o de uma das três personagens, um oficial nazi que, em 1941, se instala na casa de uma família francesa. Tio e sobrinha não contestam abertamente a ocupação, mas optam pelo silêncio, fazendo por ignorar a presença do inimigo. Permitem-lhe que se aproxime da lareira para se aquecer, que use o piano, sem alguma vez lhe dirigirem uma palavra ou darem mostras de que estão a escutá-lo. Durante cem dias, o oficial trata com afabilidade os habitantes da casa, falando de si, do seu passado e do seu fascínio pela cultura e pelos escritores franceses.
Apercebemo-nos, pelas observações do narrador, da paixão impossível (e que nunca chega a ser verbalizada) que vai nascendo entre o alemão e a mulher da casa e da admiração do próprio narrador pelo inimigo. Ao longo da obra, tornamo-nos cúmplices das batalhas interiores das três personagens e ansiamos que um dia o silêncio se quebre.

5 comentários:

CCF disse...

E há em tradução em Português?
Bjinho
~CC~

Infame da Vileza disse...

Fiquei curioso!
Será que me emprestas?
Bjs

CristinaGS disse...

Os homens e mulheres para além da sua condição conjuntural, são homens e mulheres. Quem traduz?

deep disse...

Sim, CCF, há tradução em português e foi assim que eu o li, pois o meu conhecimento de francês não me permitiria lê-lo no original. É da Presença, mas deve estar em vias de extinção!

Terei todo gosto em emprestar-to, Infame!

Cristina, infelizmente as convenções são muitas vezes grandes obstáculos.
A versão portuguesa é uma tradução de duas senhoras: Maria Jorge Vilar e Maria Teresa Belo.

Beijos para todos e votos de um bom dia! :)

Koky disse...

Bastante curioso sem dúvida, fiquei com bastante interesse em ler.