sexta-feira, janeiro 30, 2009

A Origem do Mundo

De manhã, apanho as ervas do quintal. A terra, ainda fresca, sai com as raízes; e mistura-se com a névoa da madrugada. O mundo, então, fica ao contrário: o céu, que não vejo, está por baixo da terra; e as raízes sobem numa direcção invisível. De dentro de casa, porém, um cheiro a café chama por mim: como se alguém me dissesse que é preciso acordar, uma segunda vez, para que as raízes cresçam por dentro da terra e a névoa, dissipando-se, deixe ver o azul. Nuno Júdice, in "Meditação sobre Ruínas"
Logo, se puder, passo para vos ler e para comentários. Agora tenho que ir meter-me numa máquina que, afinal, "já não é cilíndrica e fechada como as antigas"... Não, não é uma máquina do tempo!

1 comentário:

Ana disse...

Semmpre bons textos, bons poemas por cá! Não sei onde vais arranjá-los, mas está muito, muito bem! bjs