De manhã, apanho as ervas do quintal. A terra,
ainda fresca, sai com as raízes; e mistura-se com
a névoa da madrugada. O mundo, então,
fica ao contrário: o céu, que não vejo, está
por baixo da terra; e as raízes sobem
numa direcção invisível. De dentro
de casa, porém, um cheiro a café chama
por mim: como se alguém me dissesse
que é preciso acordar, uma segunda vez,
para que as raízes cresçam por dentro da
terra e a névoa, dissipando-se, deixe ver o azul.
Nuno Júdice, in "Meditação sobre Ruínas"
Logo, se puder, passo para vos ler e para comentários. Agora tenho que ir meter-me numa máquina que, afinal, "já não é cilíndrica e fechada como as antigas"... Não, não é uma máquina do tempo!
1 comentários:
Semmpre bons textos, bons poemas por cá! Não sei onde vais arranjá-los, mas está muito, muito bem! bjs
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