domingo, novembro 02, 2008

não há duas folhas iguais

(Vinca)
(Ranúnculo)
Não há, não, duas folhas iguais em toda a criação. Ou nervura a menos, ou célula a mais, não há, de certeza, duas folhas iguais. Limbo todas têm, que é próprio das folhas; pecíolo algumas; baínha nem todas. Umas são fendidas, crenadas, lobadas, inteiras, partidas, singelas, dobradas. Outras acerosas, redondas, agudas, macias, viscosas, fibrosas, carnudas. Nas formas presentes, nos actos distantes, mesmo semelhantes são sempre diferentes. Umas vão e caem no charco cinzento, e lançam apelos nas ondas que fazem; outras vão e jazem sem mais movimento. Mas outras não jazem, nem caem, nem gritam, apenas volitam nas dobras do vento. É dessas que eu sou. Texto: António Gedeão, "Pastoral"
Imagens: deep Este poema do sábio António Gedeão, ou Rómulo de Carvalho, lembra-me que, muitas vezes, nos esquecemos de que também não há duas pessoas iguais, de que todos temos formas diferentes de estar, de pensar e de que até os conceitos de bem-estar e de felicidade são diferentes. Por tantas vezes nos esquecermos dessas diferenças, procuramos, a todo o custo, em forma de conselho ou de crítica, impor aos outros a maneira "ideal" de ser, de pensar e até de sentir.
Há tempos, alguém dizia - e eu concordo plenamente - que a "tolerar" - como a "condescender"- subjaz uma certa superioridade de quem tolera em relação a quem é tolerado. É exactamente isso que fazemos com quem nos rodeia: raramente aceitamos e respeitamos; quando não rejeitamos de todo, toleramos, condescendemos...
Há dias, firmei no meu espírito a ideia de que não quero que me tolerem, mas de que também não quero ser diferente do que sou só para que me aceitem. Posso imitar os outros naquilo que eu considero haver neles de positivo, mas nem tudo o que os enforma me serviria, porque eu sou diferente e é essa diferença que me torna, aos olhos de alguns, especial.

5 comentários:

Infame da Vileza disse...

A música é linda!
O poema vou usar nas minhas aulas!
Espontaneidade, característica que eu admiro!
Penso que por vezes devemos ser condescendentes, quando gostamos do todo mas há alguma coisa no particular que nos desagrada.
Penso que devemos tolerar que por vezes nos tolerem esses particulares, é uma forma de amor!
Aos meus olhos és especial, nos teus olhos espero ver condescendência para os minhas particularidades.
Bjs

Astor disse...

iguais não existem?
o que será então o amor? :P

PS: a música, a música!

tsiwari disse...

Sabes... nem nós somos, permanentemente, iguais.

Todo cambia...

vaandando disse...

A condescendência é sempre uma forma de arrogância.
Digo isto quase como um aforismo
Cordialmente______________----
JRMARTo

Anónimo disse...

Todos os dias um 'torrão' de açúcar me acorda...:)
Ñ preciso recordar-t que és especial? Ou até te ajuda o dia, s t disser? :)

Para mim és...:)

Bjis

rubia