sábado, agosto 30, 2008

também este crepúsculo

(Montesinho, Agosto de 2008)


Também este crepúsculo nós perdemos.
Ninguém nos viu hoje à tarde de mãos dadas
enquanto a noite azul caía sobre o mundo.

Olhei a minha janela
a festa do poente nas encostas ao longe.

Às vezes como uma moeda
acendia-se um pedaço de sol nas minhas mãos.

Eu recordava-te com a alma apertada
por essa tristeza que só tu me conheces.

Onde estavas então?
Entre que gente?
Dizendo que palavras?
E porque vem até mim todo o amor de repente
quando me sinto triste, e te sinto tão longe?
Caiu o livro em que sempre escolhíamos ao crepúsculo
e como um cão ferido encostou-se a minha capa aos pés.


Sempre, sempre te afastas pela tarde
para onde o crepúsculo corre apagando estátuas.

Pablo Neruda

3 comentários:

Anónimo disse...

Bela foto!!Ou melhor belas fotos que abundam neste blog!!!

Xi-corações

Isa

Anónimo disse...

Há dias em q ñ são necessários os 'Amores' qd um pôr do sol destes nos basta...

Bjis Mtis

rubia

deep disse...

Obrigada, Isa!

rubia, também tens razão...

Beijocas para as duas