segunda-feira, agosto 18, 2008

Ai, flores, ai, flores do verde pino

No cantinho do José Marto, deparei com um poema da sua autoria que, de alguma forma, me lembrou esta cantiga de amigo, de que gosto muito.

Ai, flores, ai, flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai, Deus, e u é? 


Ai, flores, ai, flores do verde ramo, 
se sabedes novas do meu amado? 
Ai, Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs comigo?
Ai, Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que m' á jurado?
Ai, Deus, e u é?

Vós me preguntades polo vosso amigo?
E eu ben vos digo que é san' e vivo.
Ai, Deus, e u é?

Vós me preguntades polo vosso amado?
E eu ben vos digo que é viv' e sano.
Ai, Deus, e u é?

E eu ben vos digo que é san' e vivo
e seerá vosc' ante o prazo saído.
Ai, Deus, e u é?

E eu ben vos digo que é viv' e sano
e seerá vosc' ante o prazo passado.
Ai, Deus, e u é?

D. Dinis

6 comentários:

Cristina GS disse...

É o amor em eterno devir. A propósito estou a ler um livro de um Sr. polaco de provecta idade mas que escreve com um lucidez fantástica, chama-se Zigmunt Bauman, e o livro Amor líquido, está editado na Relógio d'Água. Um dia destes deixo uns rastos de poeira para vos aguçar o apetite. Boa semana

vaandando disse...

obrigado pela referência, e pela ressonância que encontrou no poema que publiquei... È bastante elogiosa a filiação para a qual me reenvia, não sei se tanto merece o meu poema!
Abraço
JRmarto

tsiwari disse...

É um daqueles clássicos, estudados no início do secundário dos tempos meus.

E a poesia, nas escolas imposta segundo um calendário rigoroso e a perguntar o que queria o poeta dizer com o que escrevia, mata-se desta forma. Nunca achei que a professora mais os que escreveram os manuais soubessem que coisa queria o poeta dizer...

Nesses tempos era assim. Agora, felizmente, vão-se alterando os estados das coisas...

E quem fala da poesia fala da prosa. O que gostei eu de ler Os Maias - nas férias GRAAAAAANDES, antes da escola - e o que detestei o modo como foi dissecada a obra na escola.

A poesia[/prosa/leitura = entrega] não tem hora marcada. Nem é dissecável...

E adoro este/a poeminha/poemão/cantiga d'amigo.

Bjo e desculpa a extensão do desabafo.

;) boas férias, sempre.

deep disse...

Cristina, confesso que fiquei com água na boca no que respeita ao livro. :)

José Marto, por que não a comparação? Da mesma massa, como costuma dizer a minha mãe, uns e outros somos feitos... Não tem que agradecer nada!

Tsiwari, não tens que pedir desculpa... gosto de "desabafos" longos.
Também gosto muito de poesia trovadoresca, nomeadamente de cantigas de amigo, em particular desta. Há um disco, com música do Pedro Caldeira Cabral, que encontrei há uns anos, só de poesia trovadoresca - La Batalla. Talvez te interesse...

Uma óptima semana para todos. :)

Astor disse...

houvesse uma máquina do tempo e eu já lá estava!

PS: bela música :P

Anónimo disse...

Para lá das dificuldades, há poemas q nos vão sempre emocionar...

bjis

rubia