sábado, junho 21, 2008

parece que já é Verão

(Uma austrolestes annulosus ou libélula de cauda anelada azul)

Como quem num dia de Verão abre a porta de casa
E espreita para o calor dos campos com a cara toda,
Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos,
E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber
Não sei bem como nem o quê...

Mas quem me mandou a mim querer perceber?
Quem me disse que havia que perceber?

Quando o Verão me passa pela cara
A mão leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que eu o sinta,
Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...

Pessoa-Alberto Caeiro

3 comentários:

Anónimo disse...

'palavras para quê? é um artista português!'

bjis

rubia

Anónimo disse...

Caeiro é Caeiro... mas a música sobresaltou-me e bem , pois estava ligada e , nem dei conta estive a ouvir flamenco esta manhã... e esqueci-me....
cordialmente
José Ribeiro Marto

Anónimo disse...

ah , não vou dizer errata , mas esqueci-me de um s , em sobressaltou-me... um sobressalto!:):