domingo, abril 20, 2008

o (des)valor das palavras

Dizia-me, há tempos, um jovem que não atingiu ainda os trinta anos que, actualmente, as pessoas proferem palavras de forma leviana. Acrescentou que nunca, até então, dirigira a expressão "amo-te" a alguém por não ter sentido algo que assim pudesse nomear-se.
Não me lembro se o verbalizei, mas, pelo menos, intimamente, fiz coro com as palavras dele.
Noutros tempos, a palavra selava compromissos. Havia quem se orgulhasse de ser "pessoa de palavra". A forma como se usava as palavras era também um sinal de maturidade. Actualmente, "honra" e "maturidade" são conceitos vazios, que se perderam do referente - aliás, como me lembrava uma jovem de vinte anos, a idade não determina o grau de maturidade.
Confesso que tenho dificuldade em dizer às pessoas que as amo ou que gosto delas - por pudor, mas, sobretudo, porque temo não ser capaz de gestos que estejam à altura, que honrem o compromisso que julgo ter assumido pelas palavras proferidas.
Talvez por isso me ofendam as palavras que se revelam inconsequentes em gestos desajustados ou em incompreensíveis e súbitos silêncios. Desconfio ( outras vezes, chego à certeza), então, do valor das palavras ditas e das boas intenções de quem delas fez uso.
Mais sobre as palavras aqui.

2 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Há muito que me habituei a valorizar as palavras pela pessoa que as profere.
E até os silêncios...

Bom Domingo, beijinhos.

La rubia disse...

Alô. Concordo com tudo o q referiste, mas axo q ñ precisamos de ir a palavras tão sérias como Amor, q é dita com sinceridade umas poucas vezes, a um nº mto reduzido de pessoas, como 'verdadeira'. Palavras menos carregadas como Amizade, Desculpa, ou frases curtas como, 'não te quiz magoar' estão completamente 'fora de moda'... talvez ñ tanto as palavras mas as intenções das mm.
Isto sou eu práki a mandar bitates...
Bjis