quinta-feira, maio 24, 2007

refusenik

Até ontem, não sabia que existia... talvez seja indesculpável a minha ignorância...

Chen Alon tem 31 anos, é israelita e vive em Telavive. Educado num ambiente sionista e encorajado desde pequeno a servir o Exército, assim o fez durante anos, até se tornar um refusenik. No passado, cumpriu ordens cruéis: cercar aldeias, prender crianças, reprimir manifestações. Hoje, é um activista político contra a ocupação e, com um grupo de israelitas e palestinianos, usa o arsenal do Teatro do Oprimido [1] para alargar o seu movimento, promover a discussão e incitar os israelitas a experimentarem o que é estar no papel do outro, do "inimigo".

Na associação de que faz parte, Courage to Refuse, os israelitas dizem que amam o seu país e que até estão dispostos a combater por ele. Mas consideram que a campanha militar e a ocupação dos Territórios Palestinianos é ilegal, imoral e inútil. Chen faz parte do movimento refusenik e foi um dos dinamizadores da carta pública lançada por militares israelitas em que se recusam a servir o exército violando as fronteiras de 1967, em acções que só servem, como escreveram, para «dominar, expulsar, condenar à fome e humilhar um povo inteiro» e que, sendo acções de «ocupação e opressão», não servem sequer o alegado propósito de defesa de Israel. A carta, assinada por mais de 600 soldados, abalou a sociedade israelita e teve um impacto importante no processo eleitoral de Janeiro de 2003, num momento em que a direita política defensora das acções militares ganhava peso. Nessa altura, a campanha que levou a cabo com os seus companheiros refuseniks foi considerada por alguns como o mais importante elemento de renascimento da esquerda em Israel. Visto como traidor pelo Estado, Chen teve já de cumprir penas de prisão militar. Actualmente, a estratégia do Exército passa menos por reprimir e mais por enviá-los para outro tipo de missões. Mas Chen prossegue o seu activismo, usando o Teatro do Oprimido como arma de denúncia da situação. Trabalhando do "lado dos opressores", ele encena situações concretas passadas nos checkpoints e incita os israelitas a colocarem­‑se no lugar dos palestinianos e a experimentarem, ainda que por momentos, o que é estar no papel do outro.

[1] O Teatro do Oprimido é um sistema de técnicas e jogos que pretendem democratizar os meios de produção teatral e usar a linguagem do teatro para a libertação. Partindo das vivências concretas dos grupos e populações com as quais se trabalha, o Teatro do Oprimido transforma os espectadores em espect­‑actores, agentes activos da transformação da sua realidade. Mais informação pode ser encontrada em www.theatreoftheoppressed.org/.

Texto retirado daqui.

3 comentários:

Araj disse...

Amiga, não tenho actualizado o meu blog, mas tenho passado por aqueles blogs que sempre frequentei, ainda que não os comente. Os afazeres profissionais, este ano têm-me retirado quase todo o tempo útil.
Motivos para escrever não me faltam, o próximo texto já está pensado e reflectirá um dos motivos da minha ausência. Lá para Domingo ou segunda dará à luz...

Nilson Barcelli disse...

Não conheço e acho que é a primeira vez que vejo um texto acerca desse movimento e do Chen Alon.
Gostei de ler, fizeste um bom trabalho.
Tiraste a tua foto de pequenina... gostava tanto dela...
Bom fim-de-semana, beijinhos.

Miguel disse...

è sempre bom ver estes exemplos.. e saber que as pessoas continuam a lutar por ideais...