quinta-feira, abril 12, 2007

guerra civil


Urze, também conhecida por "torga" (imagem retirada da net)

... porque se comemoram os cem anos do nascimento de Miguel Torga;

... porque, no sábado de Páscoa, fui ver "Alma Grande", da companhia O Bando;

... porque...


É contra mim que luto
Não tenho outro inimigo.
O que penso
O que sinto
O que digo
E o que faço
É que pede castigo
E desespera a lança no meu braço

Absurda aliança
De criança
E de adulto.
O que sou é um insulto
Ao que não sou
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou

Infeliz com loucura e sem loucura,
Peço à vida outra vida, outra aventura,
Outro incerto destino.
Não me dou por vencido
Nem convencido
E agrido em mim o homem e o menino.

Miguel Torga

4 comentários:

TsiWari disse...

A urze é um grito de cor nesses montes escarpados...

nem vencidos nem convencidos...andamos também assim, nós próprios.

***

Miho disse...

Miguel Torga irá ser recordado por gerações e gerações!
Há obras que são imortais.

Beijo*

ana maria disse...

Um dos meus escritores de cabeceira...

Yashmeen disse...

Lembro-me de os "Novos contos da montanha" serem uma das minhas primeiras referências literárias. O Torga é a dureza e a aridez do ambiente rural do norte de Portugal, mas também a sua candura e simplicidade.

Abraço