segunda-feira, setembro 25, 2006

leituras III

"Quero falar de felicidade e bem-estar, desses raros e inesperados momentos em que a voz na nossa cabeça fica silenciosa e nós nos sentimos em comunhão com o mundo.
Quero falar do tempo dos princípios de Junho, de harmonia e do abençoado repouso (...).
Quero lembrar os cerúleos crepúsculos, as róseas e langorosas alvoradas (...).
Quero lembrar aquilo tudo. Se querer tudo é demasiado, então que seja apenas uma parte. Não, não - mais do que uma parte. Que seja quase tudo."
" (...) por volta de 35 000 anos antes da nossa era, os Cro-Magnon inventavam a magnífica arte das grutas. A preparação da rocha, o cinzelado da gravura, a precisão dos traçados, a escolha e a preparação das cores, a perspectiva, o domínio do esfuminho para dar relevo, o gosto pelo trabalho perfeito (...) ... Tudo isso denota uma habilidade, uma preocupação estética e uma sensibilidade surpreendente. Em suma, um cérebro dotado de imaginação e de emoções. A revolução da arte nesta época talvez coincida com o aparecimento do amor."

"Nascemos para ser escolhidos, vivemos para escolher. Podia-se dizer de Madzero que era tonto mas, ao menos, ele escolhera viver nesse lugar de que se esqueceram os caminhos. Há anos que ele quase não cruzava com alma vivente. A única pessoa de seu convívio era Mwadia, essa que tinha corpo de rio e nome de canoa.

E era para reencontrar a sua esposa que o pastor agora apressava o passo. (...) O burriqueiro anteviu os grandes olhos da mulher e a savana se encheu de luminações como um pestanejar dos céus.

- Vou no caminho de ser Deus.

Arrependeu-se da ousadia do pensamento."

3 comentários:

TsiWari disse...

Mia Couto, o inventador de palavras...


... e de personagens, de lugares, de contos!

;)*

Barão da Tróia II disse...

Boa dica, obrigado.

gala disse...

o ke achaste do livro novo do Mia? já estive para o comprar umas 6 vezes mas fui sempre optando por outros.

beijos e boa quarta-feira