sexta-feira, março 31, 2006

a invenção do amor

(Foto de Mark Freedom) Em todas as esquinas da cidade nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas janelas dos autocarros mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da nossa esperança de fuga um cartaz denuncia o nosso amor Em letras enormes do tamanho do medo da solidão da angústia um cartaz denuncia que um homem e uma mulher se encontraram num bar de hotel numa tarde de chuva entre zunidos de conversa e inventaram o amor com carácter de urgência deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia quotidiana Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e fome de ternura e souberam entender-se sem palavras inúteis apenas o silêncio A descoberta A estranheza de um sorriso natural e inesperado
Daniel Filipe
As estrofes transcritas constituem uma pequena parte de um poema narrativo que introduz e toma quase todo o espaço de uma colectânea com o mesmo título.
Não sei se alguma vez alguém o musicou, mas lembro-me de ter visto, há alguns anos, na televisão, uma representação.

8 comentários:

Araj disse...

No amor não são necessárias palavras... basta um olhar e tudo despoleta... Beijo

Miguel disse...

A não estranheza de um sorriso natural e esperado quando te visito

boleia disse...

e se alguém pusesse isto em música?... gostei muito! Amor sem pressas e com sorrisos!

molotov disse...

faz tempo que não lia isto...muito tempo.

aprendiz de viajante disse...

Um poema muito bonito para descrever o sentimento maior: O AMOR!!!

Um bjo e bom Domingo

alyia disse...

Mas se o musicarem ficará perfeito!
gostei da imagem

xana disse...

também gostei, deep. mesmo muito!

um abraço forte.

Teresa Durães disse...

A invenção do amor... Uma peça de teatro, não é? Pelo menos representaram quando andava na escola, a long long long time ago... (so much that I will not tell how much...)