terça-feira, fevereiro 07, 2006

farenheit 451

Em criança- penso que teria menos de 10 anos -, vi, na RTP1, Farenheit 451. Algumas cenas ficaram para sempre gravadas na minha memória, embora, na verdade, não tenha compreendido grande parte do que vi. Só alguns anos depois, já adulta, em conversa com uma amiga, soube ter sido realizado por François Truffaut, em 1966. Não revi o filme. Reconstituí a sua trama com a leitura, muito posterior, da obra de Ray Bradbury, que lhe serve de inspiração.
A acção de Farenheit 451 decorre em 2099. A sociedade americana tinha sido proibida pelo governo de ler e de possuir livros, porque se temia que as pessoas pudessem pensar com autonomia, criando uma elite que fosse uma ameaça ao poder vigente. As histórias dos livros eram, assim, guardadas na memória, pelos mais velhos, que as contavam aos mais novos, sempre que estes pretendiam "ler".
Por ser uma sociedade avançada, as casas eram à prova de fogo, não havendo, por isso, bombeiros. Em contrapartida, havia corporações de incendiários, cuja função era, essencialmente, incendiar as bibliotecas que alguns mantinham secretas nas suas casas. A descoberta de uma biblioteca implicava não só a sua destruição, como a punição dos seus donos. O castigo estava igualmente reservado àqueles de quem se suspeitava que tivessem um gosto, ainda que ténue, pelos livros.
Hoje, não sei muito bem porquê (ou talvez saiba!), recordei, de novo, Farenheit 451...

5 comentários:

Araj disse...

aí está um mundo onde eu não conseguia viver: os livros são a minha vida, pois só eles conseguem retirar-me desta mediocridade que inalo todos os dias...

Giraluas disse...

Excelente lembrança deep, já nao vejo esse filme há muito tempo mas é inesquecivel. Truffaut retira muitas das conotações americanas do filme e faz da historia uma historia universal. E complementou o "aviso" de Bradbury. Mais. Truffaut nao usou quaisquer palavras escritas no filme, excepto, salvo o erro, o "The end". Até a ficha tecnica e genérico são... lidos por uma voz off! tenho que voltar a esse filme. Ja esteve mais longe de ser ficcção. Pelo menos em grande parte do mundo. bjs

ASAAA disse...

Temos cada vez mais autos-de-fé por este nosso maravilhoso mundo afora. E hj já não se queimam só cristãos-novos, já se queimam livros e acima de tudo opiniões.

pinky disse...

curioso, ando para vêr esse filme há que eras, agora que mo relembras-te acho ke é desta que o vejo!

aidil disse...

Fiquei cheia de curiosidade logo que possa vou procura-lo no clube de vídeo.Já agora, onde é que eu estava aos dez anos para não o ter visto?...